03/03/2009
Sintomas de alívio no setor de imóveis
Pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do estado de São Paulo (Creci) mostrou que as vendas de imóveis usados aumentaram 140,29% entre janeiro e fevereiro, voltando a níveis semelhantes aos do terceiro trimestres de 2008. Outros dados, do Sinduscom, indicam que o emprego no setor voltou ao nível de junho passado.São fatos auspiciosos, pois, dado o ciclo longo de produção, a construção civil sofre muito nas crises.
A pesquisa do Creci abrange 463 imobiliárias da capital, que venderam 163 unidades em fevereiro, ante 173 em agosto e 196 em setembro de 2008. Em janeiro de 2009, apenas 63 imóveis foram vendidos. A media de preços por m ² caiu 6,59% em relação a janeiro, mas houve aumentos localizados, como nos bairros da Lapa, Mandaqui, Mirandópolis e Mooca.
Assim como ocorre no mercado de veículos, a liquidez dos imóveis usados influencia o ritmo de vendas dos novos, pois a maioria dos compradores aliena a propriedade antiga e dá o valor como parte do pagamento do imóvel novo.
A maioria das vendas foi á vista (60,5%), quase o dobro das financiadas (31,7%). Há, assim, espaço para aumentar as vendas financiadas, que predominam no segmento de novos.
No primeiro bimestre registrou-se elevação das operações de credito para a casa própria da pessoa física realizadas com recursos das cadernetas de poupança (+40% em relação ao mesmo período de 2008). Mas diminuíram os empréstimos a empresas de incorporação, que têm considerado com muita cautela o lançamento de novos empreendimentos.
Com a relação aos imóveis com valor de até R$ 130,00 mil, objetos do recente pacote oficial para a casa própria, há otimismo na área da construção, como mostrou o presidente do Secovi, João Crestana.
Mas as empresas ainda aguardam os parâmetros de preços para lançar empreendimentos nas faixas de renda baixa.
O plano prevê fortes subsídios às famílias com renda de até três salários mínimos, onde se concentra o déficit, mas não está claro se haverá oferta de terrenos e infraestrutura suficiente para atender à demanda, permitindo o lançamento de grandes conjuntos de moradias e ativando a construção civil.
Os dados do Creci sugerem mais confiança dos compradores. Mas muitos ainda preferem a locação. Aumentou 31,2%, entre janeiro e fevereiro, o numero de imóveis alugados na capital, com queda de 2,38% no preço médio e preferência pelos de menor valor. |