05/12/2008
Corretores discutem influência da acessibilidade na negociação de imóveis

A Quarta Nobre de 3 de dezembro, data em que se comemora o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, não poderia contar com uma participação mais adequada. Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella ministrou palestra no CRECI-SP a respeito de como a acessibilidade pode ser um importante diferencial no mercado imobiliário.

Centralizando o foco de sua apresentação na moradia como espaço propício para a valorização dos direitos fundamentais e garantia de qualidade de vida, a secretária ressaltou que, atualmente, cerca de metade da população brasileira acaba prejudicada pela falta de acessibilidade arquitetônica e urbanística. "Os projetos urbanos ainda não obedecem ao chamado ‘desenho universal’, que prevê detalhes importantes, como rebaixamento de guias, iluminação, sinalização e áreas de aproximação, por exemplo."

Para Linamara, a casa é o referencial mais nobre do ser humano e, por essa razão, é fundamental que, especialmente o segmento da construção civil, passe a considerar a possibilidade de garantir, mesmo que de maneira indireta, que os proprietários dos imóveis vão se utilizar de todos os espaços de forma independente, confortável e segura.

"Quando se fala em vender mais e melhor, é preciso que se leve em conta o conhecimento do corretor de imóveis para responder a questões básicas, como saber se há espaço suficiente para a passagem de uma cadeira de rodas, se o empreendimento pode oferecer algum risco para pessoas que enxergam mal, se há condições de acesso às áreas de lazer do prédio. Essas são perguntas que vão fazer parte da interlocução que esses consumidores, cada vez mais, farão aos vendedores e empreendedores, visto que a questão da deficiência e do envelhecimento está cada vez mais presente. E certamente que garantir a diversidade e conseguir conversar sobre isso é um diferencial nesse negócio."

Vale lembrar que as estimativas apontam que, somente no Estado de São Paulo, 11,5% da população apresentam algum tipo de deficiência, o que representa 4,5 milhões de pessoas. E, sem dúvida, os empreendimentos que tiverem esse conceito de segurança e de funcionalidade para essa parcela da população vão sair na frente.

Linamara comentou, ainda, sobre o projeto do Governo estadual para que as moradias de interesse popular sejam feitas buscando a eliminação de barreiras arquitetônicas, respeitando o conceito do desenho universal e resgatando a dignidade de seus moradores.